Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos

17 de abril de 2014

Para democratização da comunicação, dirigentes defendem projeto popular em oficina da CUT São Paulo

“Discutir a democratização da comunicação é incontestável. Hoje estamos cerceados por informações controladas por uma mídia unilateral e de interesses, enquanto não temos acesso às informações de que realmente precisamos. É uma ditadura silenciada, manipulada e desigual, que precisamos combater, abrindo e ampliando espaços para diálogo dos movimentos e da classe trabalhadora”.
"No ato do último 9 de abril, escutamos da repórter da Rede Globo que ela não ouviria a vice-presidenta da CUT Nacional, Carmem Foro, porque tinha recomendações da redação para entrevistar apenas o deputado Paulinho, da Força Sindical. Isso não é democrático”, pontua.
“Os grandes meios de comunicação privados continuarão existindo, mas não estarão sozinhos. Não queremos censurar ou calar os veículos, mas ampliar as vozes da população, dos trabalhadores. As concessões, por exemplo, são públicas e precisam estar a serviço da sociedade. Queremos diversidade, direito de resposta, espaço e responsabilidade de quem produz”.


Cerca de 150 pessoas de diferentes ramos e sindicatos participaram nesta terça-feira (15) da oficina de comunicação da capital, que integra as ações do Dia do Trabalhador/a, promovida pela CUT São Paulo (CUT/SP). O encontro, coordenado pelo secretário Geral da Central no estado, Sebastião Cardozo, ocorreu no Centro de Formação do Sindicato dos Servidores Municipais, no centro da capital paulista.

O presidente da CUT/SP, Adi dos Santos Lima, afirmou que o tema da comunicação não está na agenda do movimento sindical, como o fim do fator previdenciário e a redução da carga de trabalho para 40h, mas faz parte do cotidiano da classe trabalhadora e deve ser tratado como prioridade. “Não é possível existir uma ditadura da mídia comandada por poucos grupos no país”.

Secretária de Imprensa da CUT São Paulo, Adriana Magalhães defende que a comunicação deve ser vista pelo movimento sindical como investimento e não como custo. “Quando vamos para uma mobilização precisamos estar atentos sobre a forma como nos comunicamos com faixas, camisetas ou bandeiras. No ato do último 9 de abril, escutamos da repórter da Rede Globo que ela não ouviria a vice-presidenta da CUT Nacional, Carmem Foro, porque tinha recomendações da redação para entrevistar apenas o deputado Paulinho, da Força Sindical. Isso não é democrático”, pontua.

Adriana ressaltou durante a oficina o Projeto de Lei de Iniciativa Popular para uma Mídia Democrática, que necessita de 1,3 milhão de assinaturas para ser enviado ao Senado. “Os grandes meios de comunicação privados continuarão existindo, mas não estarão sozinhos. Não queremos censurar ou calar os veículos, mas ampliar as vozes da população, dos trabalhadores. As concessões, por exemplo, são públicas e precisam estar a serviço da sociedade. Queremos diversidade, direito de resposta, espaço e responsabilidade de quem produz”.

Conquistas e desafios

O diretor da TVT, Valter Sanches, provocou o público perguntando quanto tempo os dirigentes têm para falar com a própria base. “Se fizemos uma assembleia semanal, com duração de 25 minutos, mais entregarmos um veículo próprio, em que o trabalhador gastará 10 minutos de sua folga, teremos 35 minutos aproximadamente do tempo desse trabalhador por semana. Se dividirmos isso, teremos 5 minutos por dia da atenção da base. As outras 23 horas e 55 minutos ela estará sendo massacrada pela grande mídia que está a serviço dos anunciantes, normalmente empresas privadas”, explica.

Para Sanches, os convênios médicos são os maiores anunciantes das propagandas na televisão e, por isso, não vão querer que os veículos se coloquem a favor e falem bem da saúde pública. “Se os meios atendem ao mercado privado, terá como objetivo reproduzir o capital da forma mais rápida possível. Isso causa muito das deformações de pensamento e influencia na formação cultural ideológica”, alerta.

O diretor da TVT fez questão de ressaltar uma conquista, que recebeu aplausos do público presente na oficina. A emissora recebeu nessa segunda (14) concessão do Ministério das Comunicações para transmitir sua programação digital em São Paulo, no canal 44 em UFH, para uma área que irá abranger 20 milhões de pessoas. “Mais uma conquista para nossa luta que é antiga. Sabemos que qualquer forma de comunicação como a internet, por exemplo, que faça a intermediação do diálogo entre as pessoas, tira o sossego dos barões da mídia, que perdem o poder absoluto da mediação”.

Para o jornalista e secretário de Comunicação do PT de São Paulo, Humberto Tobé, as oficinas promovidas pela CUT São Paulo contribuem para fazer com que os sindicatos, movimentos sociais e parlamentares possam participar do debate sobre a necessidade de uma mídia plural e de pensar na construção de novos canais. “O que está em disputa é o projeto de país que queremos”, afirma.

Em tramitação no Congresso Nacional há três anos, o Projeto de Lei (PL) 2.126/2011 do Marco Civil da Internet foi destaque na oficina. Ele define, entre outras questões, os direitos e deveres de usuários e provedores de serviços de conexão e aplicativos na internet. Ainda, garante o direito à privacidade na rede.

Para o secretário adjunto de Formação da CUT Nacional, Admirson Medeiros Ferro Júnior, o Greg, a sociedade brasileira vive um momento da história brasileira em que o regime democrático precisa ser valorizado. “O marco civil da internet é uma luta de mais de cinco anos dos movimentos. O sigilo na internet, a neutralidade, a segurança da informação e o direito de resposta precisam garantidos a todo e qualquer cidadão”.

Segundo o dirigente, o Comitê Gestor da Internet (GCi) no Brasil é uma conquista antiga dos movimentos social e sindical. “Nasceu de trabalhos e diálogos feitos junto à sociedade”. A democratização dos meios, ressaltada novamente por ele, é uma das peças fundamentais para ampliar e consolidar a democracia no país. “São poucas as famílias que dominam os meios de comunicação e a sociedade precisa ter espaço para divulgar as suas ideias e compartilhar os seus conhecimentos. A produção de conteúdo e o acesso aos equipamentos tecnológicos precisam ser igualitários”.   

De acordo com Greg, a rede CUTista é enorme e está espalhada pelo Brasil. “Mas precisamos avançar e ter a dimensão do que somos. Precisamos ocupar as ruas ainda mais, fazer cinema e teatro, nos aproximarmos da sociedade por outros canais que estão à disposição”.

No final da atividade, o secretário Geral da CUT/SP, Sebastião Cardozo, informou que 20% dos presentes na oficina irão participar do Seminário Internacional Sindical do Dia do Trabalhador/a, que ocorrerá no dia 28 de abril, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

SinPsi destaca manipulação midiática

O SinPsi, representado pelas dirigentes Marília Fernandez e Elenice Koods, marcou presença no curso de formação. Um dos destaques do curso, observado pelo olhar das psicólogas, foram as formas de manipulação da mídia, no sentido da alienação de massa e construção ideológica sobre a população, influenciando os modos e formas de vida. 

“Discutir a democratização da comunicação é incontestável. Hoje estamos cerceados por informações controladas por uma mídia unilateral e de interesses, enquanto não temos acesso às informações de que realmente precisamos. É uma ditadura silenciada, manipulada e desigual, que precisamos combater, abrindo e ampliando espaços para diálogo dos movimentos e da classe trabalhadora”, afirmou Marília.

Para a dirigente, a Psicologia tem o dever de participar deste debate, como ciência que estuda o comportamento humano e sua psique, com o foco em suas questões atuais sociais.

“Para alcançarmos uma mídia igualitária e democrática, é preciso não só fazer a luta, mas nos aproximarmos uns dos outros por meio dos recursos tecnológicos de que já dispomos. É necessária toda uma construção cultural diferenciada daquela viabilizada até então, a partir de alguns grupos dominantes. Ao mesmo passo, borbulham recursos tecnológicos que podem subsidiar discussões e acredito precisarmos nos apropriar”, sugere.
Com informações do SinPsi-SP

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