22 de janeiro de 2019

A Globo no ringue: as causas, os atores e os desdobramentos

 

A população optou pela continuidade da guerra quando decidiu colocar Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Quem tentou apelar ao bom senso virou suco.

A Globo vive um momento delicado e iniciou o ano empurrada para o ringue. Seu modelo de negócio é alvo do ataque das novas mídias. A Globoplay é uma tentativa desesperada de enfrentar gigantes como a Netflix.

Bolsonaro foi à guerra. Fez em 15 dias o que o PT não fez em 13 anos. O famoso "fica tranquilo que eu resolvo com o João (Roberto Marinho)", que Zé Dirceu pronunciava durante as reuniões do comitê de crise no Planalto, parece não fazer parte do cardápio do novo governo.

O Capitão abriu fogo. Para se comunicar usa os concorrentes Twitter, Record e SBT. Anunciou que irá reduzir os recursos para a mídia tradicional e que acabará com a famosa "bonificação por volume", mecanismo que faz a Globo engolir os recursos do mercado publicitário.

Pra completar, o Planalto articula a nova CNN Brasil para disputar o nicho da Globonews. Seus sócios são Edir Macedo e empresários amigos do clã.

É cedo para dizer qual será o desfecho desta batalha. Há espaço para um acordo? Não parece haver divergência no conteúdo do projeto. Bombeiros sempre aparecem quando fica claro que morrerão todos na guerra. Por enquanto, parecem medir forças.

Por isso é muito cedo também para decretar o fim do governo. Lembram do "Temer não dura seis meses"? A situação é delicada, não há dúvida. Mas quem está interessado de verdade na queda de Bolsonaro? Derrubá-lo para colocar quem no lugar? Com qual projeto?

Qualquer recém-nascido com mais de cinco quilos já compreendeu que Queiroz é o chefe de uma lavanderia. Não é só lavagem de salário de assessor. Pelo volume, tem coisa muito maior escondida. Especula-se que milicianos podem estar lavando suas "roupas" por ali também.

Uma declaração do respeitado Raul Jungmann, então ministro da segurança, passou estranhamente "batida" pela mídia. O pernambucano declarou que "políticos poderosos estão por trás da morte de Marielle". Vereadores são "políticos poderosos"? Munição estocada há de sobra. Se será usada é outro papo.

O destino de Bolsonaro nada tem a ver com a consistência das denuncias contra Flávio. O futuro está ligado à capacidade política do Planalto de pacificar o bloco de poder que, direta ou indiretamente, o fez subir a rampa. Não é absurdo acreditar em soberba e suicídio infantil. Mas a realpolitik pode acabar se impondo também.

Rodrigo Maia e Renan comemoram. As denúncias enfraquecem o governo e trazem o presidente para o mundo dos mortais. Colocam o parlamento no centro do jogo. O Senado terá a denúncia contra Flávio nas mãos. A Globo parou de atirar em Renan. Coincidência?

Moro vive seu inferno astral. Seu capital político ainda é enorme, mas nunca esteve tão ameaçado. Como virar o campeão da moralidade se não consegue ir ao supermercado sem ouvir “E o Queiroz?” Se a situação piorar viverá o dilema de abandonar o barco ou segurar as pontas agarrado à promessa de sua vaga no STF.

O núcleo militar acompanha preocupado. Sabe que parte do desgaste pode acabar na conta das instituições militares. O general Mourão está ali para qualquer “eventualidade”.

Paulo Guedes passa a ser o maior fiador do governo. O mercado está eufórico. A Bolsa virou uma festa rave. Se a reforma da previdência for aprovada tudo será esquecido. O que são alguns milhões do Queiroz perto do bilionário mercado de previdência privada?

Bolsonaro é apenas a mula que fez o capital financeiro chegar ao poder. Se o animal fraquejar na travessia, trocar de montaria é sempre uma opção, desde que não mude o rumo.

O campo progressista, dividido e isolado, continua como coadjuvante numa luta sem sentido pela liderança da derrota. A necessária Frente Ampla é um sonho distante.

O canhão da Globo continua poderoso. A luta pela sobrevivência desperta os instintos mais agressivos. O desfecho deste capítulo ditará o rumo dos próximos acontecimentos.

Haverá um acordo? Quem recuará? O campo conservador ficará observando a luta fratricida que pode colocar em risco seus interesses estratégicos? A única certeza é que a instabilidade continuará a ser o sobrenome do Brasil, por um longo tempo.  -  Brasil 247

21 de janeiro de 2019

'Capacidade de se espantar foi sequestrada', diz jornalista

 
Não existe maior espanto no Brasil de 2019 do que a desaparição do espanto. Nada espanta mais. O cotidiano do poder na Pátria Amada tornou-se tão assombroso que tudo é possível, tudo é crível. Todo dia o Absurdo diz "Oi" para a gente, e a gente responde como se não fosse uma aberração, mas nosso vizinho de porta.

Bastaram duas semanas de regência militar-evangélica-neoliberal para se desatarem os últimos fiapos das amarras que ainda nos prendiam ao real. Os eventos deste janeiro insano, as vacilações, as asneiras, os tropeções, as cabeçadas, a exaltação da estupidez nos arremessaram no meio de algo similar a uma comédia dos "Três Patetas", com a desvantagem óbvia de que os patetas aqui não são apenas três. Mesmo assim, não ficamos estarrecidos como a situação nos impunha. Parece mesmo que o espanto foi sequestrado.

Tornamo-nos invulneráveis ao sentimento de estranheza, a reação de que algo está fora do lugar. O maior disparate ganha foros de banalidade. Aquele rinoceronte trotando na rua principal não nos surpreende. Parece que sempre esteve ali. Ele e os demais rinocerontes que pastam calmamente nos jardins do Planalto, que devoram o carpete verde de Dias Toffoli, que defecam no gabinete de Rodrigo Maia.

Não fosse o espanto uma criatura exilada da vida política nacional, a Nação se levantaria indignada ante um governo que, em 15 dias, anunciou 12 medidas e 12 recuos. É como se fosse um carro só com duas marchas: primeira e ré, permanentemente alternadas. Não sai do lugar. Não existe espanto diante de um presidente que anuncia que assinou um decreto – de aumento do IOF – que não assinou..."Ele não assinou nada", corrigiu, rebatendo seu chefe, um funcionário do segundo escalão. Espanto? Quase nenhum. Vida que segue.

Na mesma toada aconteceram os anúncios e desmentidos da instalação de uma base militar dos Estados Unidos no País, a transferência da Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém e tantos outros. Tudo sem tocar nas bizarrices de um chanceler achado no baixo clero do Itamaraty, um ministro da Educação ansioso por enxugar o sangue que encharca os 21 anos de ditadura, outro que acha um liquidificador tão letal quanto um trabuco, uma ministra que encontrou Jesus trepado numa goiabeira. Nunca houve algo igual. Nunca coube tão bem a velha definição: "Se cobrir é circo, se cercar é hospício".

Mas nada disso afeta nossa vacina anti-espanto. Não espantam os assassinatos e as chacinas. As agressões contra indígenas e quilombolas, os ataques aos sem terra, o avanço da devastação da Amazônia, a misoginia, a homofobia, o racismo, a predação dos direitos trabalhistas e previdenciários. Tudo é trivial. Ou assim é vendido por uma mídia empresarial, que moveu guerra sem trégua contra os governos populares. Compromissada com a produção de um impeachment sem crime de responsabilidade, entregou a Nação a uma corja que se autodestruiu na mais impopular gestão desde a Proclamação da República. Com poucas exceções, está ajudando, novamente, a construir essa imunidade ao espanto...

Para seu infortúnio, além das fronteiras o Brasil é mais espantoso do que jamais foi. A percepção da imprensa internacional sobre o cenário é oposta à da nativa. Degredado, o espanto lá fora se expressa com frequência e intensidade. Em outras palavras, ninguém entende nossa apatia diante de palavras e gestos que nos esbofeteiam dia sim outro também.

O maior dos espantos, porém, continua sendo a indolência com que o Brasil e os brasileiros toleram o destino imposto a um homem de 73 anos, sentenciado sem provas cabais, vítima da justiça do inimigo, impedido de concorrer à eleição que venceria, fadado a definhar numa cela de Curitiba. Não por casualidade é o maior brasileiro dos últimos 50 anos. Haja o que houver, a fraqueza, a tolerância, a passividade, a ausência de espanto diante de tamanho drama irá humilhar a nação por muitos e muitos anos. Algum dia nos espantaremos com a nossa própria iniquidade.

* Ayrton Centeno é jornalista. Trabalhou, entre outros veículos, no Estadão, Veja, Jornal da Tarde e Agência Estado. Documentarista da questão da terra e autor de "Os Vencedores" (Geração Editorial, 2014) e "O Pais da Suruba" (Libretos, 2017), entre outros livros.

Brasil de Fato e Brasil 247

20 de janeiro de 2019

Lula manda recado: o Brasil ainda vai voltar a ser feliz

Ricardo Stuckert  

O fim precoce do governo de Jair Bolsonaro, que já se desmoralizou com a descoberta de que o motorista Fabrício Queiroz, tido como laranja da família, movimentou R$ 7 milhões em apenas três anos (saiba mais aqui), amplia o contraste com a situação do ex-presidente Lula, que foi preso sem provas há nove meses pelo ex-juiz Sergio Moro, justamente para que fosse arrancado do processo eleitoral, abrindo espaço para a eleição de Bolsonaro.

Mesmo submetido a esta provação, Lula foi ao twitter nesta manhã, por meio de sua assessoria, e mandou uma mensagem ao povo brasileiro: o Brasil ainda voltará a ser feliz! Era uma referência ao ato Lula Livre, ocorrido ontem, no Arpoador, no Rio de Janeiro.

O contraste entre Lula e Bolsonaro é abissal. Lula, que teria vencido a eleição em primeiro turno, foi condenado por "fatos indeterminados" – ou seja, sem provas. Bolsonaro, que se vendeu na campanha como o xerife contra a corrupção, passou o dia de ontem reunido com o filho Flávio Bolsonaro, que tenta esconder as provas que já apareceram no caso Queiroz.  - Brasil 247

Confira, abaixo, o tweet do ex-presidente Lula:

19 de janeiro de 2019

Lula: Palocci reaparece com delação sem provas em meio ao escândalo Queiroz

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é mantido como preso político há nove meses em Curitiba, rebateu as acusações feitas nesta sexta-feira, 18, pelo ex-ministro Antonio Palocci em delação premiada à Polícia Federal. Palocci disse que entregou ao ex-presidente Lula, "em oportunidades diversas", dinheiro vivo.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Lula lembrou que a Lava Jato tem quase 200 delatores beneficiados por reduções de pena e "para todos perguntaram do ex-presidente Lula". "Nenhum apresentou prova nenhuma contra o ex-presidente ou disse ter entregue dinheiro para ele. Antônio Palocci, preso, tentou fechar um acordo com o Ministério Público inventando histórias sobre Lula", diz a nota.

"Mas o TRF-4 decidiu validar as falas sem provas de Palocci, que saiu da prisão e foi para a casa, com boa parte de seu patrimônio mantido em troca de mentiras sem provas contra o ex-presidente. O que sobra são historinhas para gerar manchetes caluniosas", diz Lula em nota.

O texto diz também que todos os sigilos fiscais de Lula e sua família foram quebrados sem terem sido encontrados valores irregulares. "Há outros motoristas e outros sigilos que deveriam ser analisados pelo Ministério Público, que após anos, segue sem conseguir prova nenhuma contra Lula, condenado por 'atos indeterminados'. Curiosa a divulgação dessa delação sem provas justo hoje quando outro motorista ocupa o noticiário".

Leia, abaixo, a íntegra da nota da assessoria de Lula:

A Lava Jato tem quase 200 delatores beneficiados por reduções de pena. Para todos perguntaram do ex-presidente Lula. Nenhum apresentou prova nenhuma contra o ex-presidente ou disse ter entregue dinheiro para ele. Antônio Palocci, preso, tentou fechar um acordo com o Ministério Público inventando histórias sobre Lula. Até o Ministério Público da Lava Jato rejeitou o acordo por falta de provas e chamou de "fim da picada".

Mas o TRF-4 decidiu validar as falas sem provas de Palocci, que saiu da prisão e foi para a casa, com boa parte de seu patrimônio mantido em troca de mentiras sem provas contra o ex-presidente. O que sobra são historinhas para gerar manchetes caluniosas.

Todos os sigilos fiscais de Lula e sua família foram quebrados sem terem sido encontrados valores irregulares. Há outros motoristas e outros sigilos que deveriam ser analisados pelo Ministério Público, que após anos, segue sem conseguir prova nenhuma contra Lula, condenado por "atos indeterminados". Curiosa a divulgação dessa delação sem provas justo hoje quando outro motorista ocupa o noticiário.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula

Brasil 247

18 de janeiro de 2019

Lula: é preciso lutar pela soberania do Brasil

 

A secretária de Relações Internacionais do PT, Monica Valente, visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 17, na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula é mantido como preso político desde abril de 2018.

Em declaração na Vigília Lula Livre, Monica relatou que conversou com o ex-presidente sobre a campanha internacional Lula Livre, que é comandada pelo ex-chanceler Celso Amorim, e pela campanha internacional pela indicação de Lula ao prêmio Nobel da Paz, em petição ingressada pelo Nobel argentino Adolfo Perez Esquivel.

Segundo a secretária petista, na compreensão de Lula, uma das batalhas principais a ser travada pelas forças do campo progressista e democrático é a defesa das riquezas nacionais. "Olha, nós temos que lutar pela soberania nacional, porque o petróleo é do povo brasileiro. Os bancos públicos, ameaçados de privatização, são instrumentos do povo brasileiro de desenvolvimento econômico e justiça social", disse Lula, segundo Monica Valente.

"O presidente Lula passa uma força, lucidez política sobre o que está acontecendo no Brasil e no Mundo muito intensa e sabe dos desafios da Humanidade está vivendo hoje, com a volta da pobreza, a ameaça de guerras e de destruição dos fóruns multilaterais como o Mercosul, a Unasul, Celac", acrescentou.

Brasil 247   - Assista as declarações de Monica Valente:


Inez Lemos: "A classe trabalhadora precisa descer do inferno, voltar a ter dignidade."


O MOMENTO É DE FORTALECER O CONCEITO "TRABALHO".

Há anos o PT sofre ataques infundados, ataques maldosos com o único propósito de desqualificar seu sentido. Ele surge pelas mãos de Lula, o maior líder sindical que o Brasil produziu. Sua história é para ser lida de joelhos, tanto que se transformou em tese de doutorado e publicado: "Lula, o filho do Brasil", de Denise Paraná.
Contudo, Lula, ao criar o PT, na verdade ele estava criando o mais amplo projeto social brasileiro. Um olhar aos negativos sociais, aos excluídos, às domésticas que sempre foram exploradas pelos patrões brancos, exploração de cama e mesa. Aos jovens sem perspectivas, ao trabalhador de poucos direitos. "O maior feito do marxismo foi dar dignidade aos trabalhadores". Frase que desde o mestrado guardo como testemunha de meu voto sempre a favor deles. Sim, ser marxista é uma escolha, e como toda escolha tem suas consequências. Nasci revoltada com a desigualdade social, fui estruturada na injustiça. Sofri na pele o machismo, diário.
Sou a primeira mulher depois de 5 machos. Nasci no sertão paulista, filha de fazendeiro, lugar onde a elite do atraso firmou seus castelos. Minha sorte é que meu pai não era um capitalista convicto, em seu inconsciente cochilava resíduos de remorso, culpa por ter nascido em berço de coronel. Impossível para uma jovem viver nessas terras. Com 18 anos abandonei a mordomia burguesa e fui estudar fora de minha cidade. Escolhi Minas, e acabei na Fafich estudando história. Em 1982 entrei para o PT.
Sim, lá me lambuzei com o que o pensamento progressista tinha de melhor: Foucault, Chaui, Florestan, Helio Pellegrino, Weffort, entre tantos outros pensadores de esquerda. Ler Marcuse e Engels eram nossos troféus de sedução - mulheres cabeça. Foi essa onda que me levou... fui nela e nela só me aprofundei. De Marx acabei em Freud e seus seguidores. Mas o que importa é testemunhar que o que salvou a jovem angustiada foram as pegadas dos grandes intelectuais de esquerda. Portanto, não podemos compactuar com o massacre aos intelectuais, aos pensadores, ao marxismo. A banalização do pensamento vai acabar com a vida inteligente e nos jogar na vala do fundamentalismo obscuro e reacionário. Não, temos que resistir à tendência medíocre e suicida da direita tacanha, tosca e criminosa. Salvar o PT é salvar o significante Trabalho, é apostar na vida cunhada na ética, na solidariedade, no respeito ao cidadão de direitos e não de privilégios. É escolher o lado onde estão as pessoas que valorizam mais o ser que o ter, o sentir que o consumir, a convivên cia interpessoal, o contato verdadeiro ao virtual. Marx nos alertou sobre a alienação, o fetiche da mercadoria. Freud soube aproveitar a dica e estendeu o conceito à condição humana, somos seduzidos por vários fetiches. Todo sujeito tem suas fantasias, e a minha sempre foi lutar por justiça. Fantasiar é desejar com o inconsciente. E o meu apontava sempre para o social. Portanto, o PT foi atacado pelo que ele prometia, tentar diminuir a crueldade do Brasil coronelista, dos senhores brancos e opressores, com os descabidos desumanos. Não, a esquerda não vai mais cochilar, não vai mais abandonar os ditames do velho Marx, tampouco deixar morrer o sonho do nosso querido Lula, nosso líder maior. A classe trabalhadora precisa descer do inferno, voltar a ter dignidade. Ela foi iludida, trapaceada. Tenhamos senso histórico e continuemos a ajudá-la a se emancipar novamente. Somente trazendo-a junto a nós iremos vencer essa guerra podre. A profecia revolucionária é o Trabalho saber fazer o Capital respeitá-lo e valorizá-lo.
Bora lá...restaurar o significante Trabalho.

 No Facebook de Inez Lemos

17 de janeiro de 2019

Mario Fonseca advogado e presidente do PCdoB/MS: "Decisões corretas nem sempre são as mais cômodas"


Tampouco o são as que jogam para a plateia. Congratulações ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que mais uma vez não foge à sua responsabilidade com a história, que não pratica meninices políticas e que não se intimida diante da histeria de pretensos corregedores da esquerda.

A decisão mais correta é a que considera o leito real da luta política, não a mais cômoda, tomada por covardia frente aos ataques que já vinham sendo gestados e agitados por oportunistas da esquerda (aqueles do "façam o que eu mando, não o que eu faço") e que, infelizmente, acabaram arrastando bastante gente boa ao engano. Que mobilizaram, também, muitos "minions" com tintura vermelha que mimetizam a intolerância dos fascistas, só que com sinal trocado.

Resistência não se faz só com boas intenções, disposição de combate e sentimentos nobres. Muito menos pode ser convertida numa grande ciranda. Sem estratégia e tática, nenhuma revolução triunfou, menos ainda se sustentou. São muitos os exemplos de flexões táticas dos comunistas na nossa história, cabíveis tanto em momentos adversos, como em situações favoráveis.

O momento do Brasil, da América Latina e do mundo é seríssimo. Uma viragem ultraliberal, com a emergência de elementos nazifascistas, está em curso. Estamos numa quadra histórica gravíssima e perigosa. Não só a esquerda está sob ameaça, mas a civilização. Inclusive setores da direita tradicional estão no alvo da campanha de cerco e aniquilamento do grande capital financeiro, sobretudo o que tem como sede principal o império estadunidense, e dos setores subservientes das classes dominantes locais. Alguns países resistem, mas Brasil e outros, que há pouco tempo experimentaram em diferentes gradações governos e processos de orientação alternativa ao neoliberalismo, sucumbiram.

Enquanto discutimos filigranas e nos acusamos uns aos outros, Moro, office-boy do império ianque, monta o sistema da Lava Jato no Executivo para aniquilar não só os progressistas, mas a própria mediação da política. Querem, inclusive, colocar o parlamento sob ameaça para tutelá-lo. A burguesia brasileira nunca tolerou qualquer resquício de autonomia no parlamento, mesmo nos tempos da ditadura e do bi-partidarismo.

Hoje, evitar que o parlamento se dobre totalmente ao "presidencialismo de ocupação" de Bolsonaro não é coisa de somenos importância. Para tanto, o isolamento, a recusa ao diálogo com quem tem o mínimo de ponto de contato conosco, significará terra arrasada não apenas para as minorias parlamentares, mas para as liberdades individuais e coletivas duramente conquistadas, os movimentos e as minorias sociais.

Eleição para a mesa de uma casa legislativa não é eleição geral, não é eleição programática. Ela é feita com quem o povo elegeu. E a composição da Câmara dos Deputados eleita em 2018, que logo tomará posse, é a mais conservadora desde a redemocratização, o que é agravado com a novidade da forte ascensão de forças de viés neofascista. Forças que cresceram também na sociedade e chegaram ao centro do poder, o executivo em nível federal. Justamente por isso, lançar candidatura de esquerda pra fazer discurso e demarcar "ideologicamente" rende curtidas e corações na bolha, mas não tem a mínima chance de vitória. E, o pior de tudo, isola e diminui a participação da oposição dentro e fora daquele espaço de decisão.

Salvaguardar a existência (existir para poder resistir e voltar a vencer) da oposição dos pontos de vista institucional e social é algo da maior importância. Já é a terceira vez que o PCdoB apoia Maia, mas só agora alguns detratores passaram a achar que este partido virou "traidor" da esquerda. Há pouco tempo, era um baluarte da resistência, mas, de repente, passou a ser atacado com uma virulência tal por setores da esquerda pequeno-burguesa que deixou os fascistas morrendo de inveja.

A não criminalização da UNE, do MST, da CUT, ameaçadas por CPIs, bem como a passagem pela cláusula de barreira eleitoral por forças como o PSOL e também o respeito ao regimento da Casa, em muito se deve ao apoio do "oportunista", "traidor" e agora "aliado do bolsonarismo" (haja desonestidade!) PCdoB a Rodrigo Maia. Este foi duramente bombardeado pelos fascistas por ter segurado a barra e cumprido esses compromissos democráticos aqui mencionados.

O PCdoB nunca pensou só em si, em cargos e mamatas, como os histéricos e deliberadamente interessados em desgastá-lo ora bradam por aí. Estranho que muita gente de um partido de esquerda que passou pela barreira eleitoral porque Rodrigo Maia garantiu reduções de danos às minorias partidárias nas mudanças operadas no sistema político-eleitoral, conforme prometera ao PCdoB e outros, agora desfira ataques abaixo da linha de cintura contra os comunistas. Mais estranho ainda são os ataques oportunistas de quadros de outro respeitável partido de esquerda que formou bloco com PMDB, PP, PR, PTB e outros em 2007 para derrotar o PCdoB, seu aliado mais leal, na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, chegando ao cúmulo de fazer um acordo de revezamento com o PMDB no comando da Casa, o que deu em Cunha, em centrão, em golpe, em Temer, em Lula preso e em Bolsonaro. Os comunistas, que defendiam coalizão ampla para governar, mas com núcleo político, social e programático de esquerda, alertaram sobre os riscos daquela opção.

Explorar contradições no campo adversário (Maia é adversário da direita tradicional, não é cachorro louco fascista) é reserva de força para a nossa luta. É muito mais revolucionário do que ficar gritando contra parceiros de luta nas redes e falando ao léu que ninguém solta a mão de ninguém, mas não hesitando em chutar a canela de quem sempre esteve e está ao seu lado diante da primeira contradição que aparece.

Assim como a esquerda não é monolítica, a direita também não o é. Apoio pontual e temporário não é apoio estratégico e duradouro. Nos dois apoios anteriores a Maia, e neste não será diferente, não aderimos à agenda programática que ele defende, nem ele à nossa. Pelo contrário, combatemos com vigor no parlamento e nas ruas o que ele apoia quanto à agenda econômica e social. Aliás, se o candidato do Cunha tivesse vencido Maia (lembram do modo Cunha de presidir, quando perdia uma votação hoje e a recolocava amanhã, atropelando regras regimentais e legais?), a reforma da previdência do Temer já estaria vigente.

Recomendo menos bílis e mais sinapse aos que criticam o PCdoB. Críticas fraternas são bem-vindas, mas toda leviandade será respondida com energia. Unidade não é unicidade ideológica. Unidade se faz com diferentes, com muito exercício político, mesmo quando se trata de unir a esquerda. E a conjuntura que vivemos exige muito mais que só a unidade da esquerda. Exige Frente Ampla Democrática, ideia-força que precisa se materializar em cada batalha e em conformidade com as diferentes características desses embates, sejam locais ou nacionais, menores ou maiores, pontuais ou estratégicos.

João Amazonas, saudoso ideólogo e ex-presidente do PCdoB, o Homem do Araguaia, foi um dos articuladores da Aliança Democrática que pôs fim à ditadura militar através da união vitoriosa entre Tancredo (PMDB) e Sarney, então presidente do PDS, ex-Arena, partido que sustentou a ditadura militar. Aproveitando uma contradição oriunda da derrota da ala de Sarney, Marco Maciel, ACM e outros na indicação ao Colégio Eleitoral de Mario Andreazza como candidato a presidente, vencida pela ala que indicou Maluf, ajudou a costurar uma unidade que redemocratizou o país, convocou a Assembleia Nacional Constituinte e legalizou os dois partidos comunistas então existentes. Esta fração formou a Frente Liberal, depois PFL, hoje DEM, com exceção de Sarney, que depois ingressou no PMDB como gesto de lealdade aos compromissos assumidos por Tancredo, morto antes da posse. Tal participação do velho Amazonas nessa construção jamais levou o PCdoB a se confundir ideológica e programaticamente com o partido formado por um setor que sustentou o regime das sombras.

João Amazonas dizia que precisamos radicalizar ampliando e ampliar radicalizando. Disse, ainda, que a "unidade é a bandeira da esperança". Tom Jobim afirmou, com razão, que o Brasil não é para principiantes. Precisamos compreender a complexa sociedade forjada aqui neste grande pedaço do planeta e construirmos, dialeticamente, na realidade atual e apreendendo as lições da história, a unidade na diversidade. Nas ruas, nas ideias e em todos os espaços de decisão.

(*) Mario Fonseca, advogado e presidente do PCdoB/MS

16 de janeiro de 2019

Bolsonaro fará leilão do pré-sal sexta e prepara a maior entrega da história

 

Bolsonaro quer continuar e aprofundar o governo Temer. Em todas as áreas, na reforma da Previdência mas também na entrega de recursos ao imperialismo. Nesta sexta-feira ocorrerá um gigantesco leilão do pre-sal e eles preparam um ainda maior, que promete ser a maior entrega de riquezas nacionais da história.

As gigantes imperialistas agradecerão. Dia 18, nesta sexta-feira será realizado um dos maiores leilões da riqueza nacional que se tem notícia. Irão a leilão os campos de Aram, Sudeste de Lula, Sul e Sudoeste de Júpiter e Bumerangue, todos esses campos são adjacentes e contíguos aos ricos campos já leiloados de Lula e Júpiter. Não há estimativas oficiais mas ao menos 10 bilhões de barris do ouro negro devem cair em mãos estrangeiras.

Este primeiro leilão de Bolsonaro é somente preparatório da entrega da jóia da Coroa – o excedente na cessão onerosa que deve ocorrer nos próximos meses. A área excendente da “cessão onerosa” irá a leilão em breve, o volume em petróleo é de ao menos 10,8 bilhões de barris, mas algumas estimativas cifram em até 30 bilhões de barris nestes campos gigantes. É uma fortuna que será dada de bandeja para a Shell, Total, Repsol, e outras empresas estrangeiras.

Quando a cessão onerosa for a leilão serão entregues os campos de Búzios, Itapu, Atapu e Sépia. A Petrobras ficará de fora, e será acionista minoritária de qual empresa imperialista abocanhar o restante.

Pelo preço atual do petróleo o leilão desta sexta feira significa uma entrega de ao menos US$510 bilhões e próximo de valor que pode alcançar US$ 1,5 trilhão.

A dimensão destas entregas é avassaladora. Antes da descoberta do pre-sal o volume total de petróleo conhecido no país era de cerca de 9 bilhões de barris, cada leilão desses entregará um volume superior, outra comparação que se pode fazer é com um país inteiro conhecido como exportador de petróleo, o México, suas reservas cifram cerca de 7 bilhões, cada leilão de Bolsonaro entregará 1 México e meio ao imperialismo!

Desde o governo Temer a participação estrangeira no saque da riqueza nacional tem aumentado exponencialmente, com privatizações de campos de petróleo que pertencem à Petrobras e com novos leilões, em dois anos a produção estrangeira passou de 7% para 23%, com o novo leilão umas das maiores e mais ricas reservas do país vai para mãos estrangeiras. Com estes novos leilões rapidamente a maior parte da produção nacional será estrangeira. Eis o entreguismo de Bolsonaro em todas suas cores.
Saiba mais sobre o avanço do imperialismo na produção de petróleo nacional lendo esta matéria

As vastas riquezas do subsolo nacional não podem servir para o saque imperialista nem para negócios corruptos iniciados na ditadura militar e continuados nos governos do PMDB, PSDB e PT, estas riquezas podem servir ao povo brasileiro. Por isso o Esquerda Diário luta para que todo petróleo nacional seja da Petrobras e a Petrobras seja 100% estatal e gerida pelos seus trabalhadores com controle popular, única maneira de garantir que estes recursos sirvam aos interesses nacionais e não à corrupção e ao saque imperialista.  - Esquerda Diário

15 de janeiro de 2019

Greve geral contra reforma da previdência está em processo de articulação

Roberto Parizotti 

A greve geral está a caminho. As seis maiores centrais sindicais do país deram início ao chamado para a mobilização, informa a coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo. O presidente da Força, Miguel Torres, defende uma grande paralisação, a ser iniciada assim que o governo apresentar sua proposta de reforma da Previdência - prevista para começo de fevereiro. "Por enquanto está claro que será uma reforma para manter privilégios e prejudicar os mais pobres. Não tem condições de o trabalhador pagar o pato de novo", diz Torres.

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo ainda destaca que "o dirigente sindical questiona a distinção que vem sendo aventada aos militares. Os sinais, afirma Torres, são de que os integrantes das Forças Armadas continuarão 'se aposentando mais cedo e com salários mais altos'."  - 247

14 de janeiro de 2019

Lula em documentário: 'quando se nega a política, o que vem depois é pior'

Ricardo Stuckert 

O jornalista Kennedy Alencar postou em seu Twitter uma frase destacada de Lula para o documentário "What Happened to Brazil...", cuja entrevista com o ex-presidente foi proibida pela Justiça brasileira; por carta, Lula afirmou: "vamos ver para onde Bolsonaro irá levar o País. A razão da vitória dele é sabida por quem conhece história: quando se nega a política, o que vem depois é sempre pior" - 247

13 de janeiro de 2019

PEC 300: A nova ameaça aos direitos trabalhistas


No último dia 9, o deputado federal Luiz Fernando Faria (PP-MG) emitiu parecer favorável à admissibilidade, por parte da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300/2016. De autoria do deputado Mauro Lopes (MDB-MG), o texto altera o artigo 7º, retirando mais direitos dos trabalhadores, além daqueles já modificados/extintos pela “reforma” trabalhista.

Entre as alterações propostas estão a ampliação da jornada diária de trabalho para dez horas, respeitando-se o limite já estabelecido de 44 horas semanais, sendo “facultada a compensação de horários e a alteração da jornada, mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho”.

A proposta também prevê o reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho prevalecendo sobre as disposições previstas em lei. Ou seja, consolida-se constitucionalmente o que já foi disposto na “reforma” trabalhista aprovada em novembro de 2017, com o negociado se sobrepondo ao legislado.

A PEC 300 também pretende dificultar ainda mais o acesso do empregado à Justiça do Trabalho. De acordo com o texto, o prazo prescricional para se ingressar com uma ação, que hoje é de dois anos para os trabalhadores urbanos e rurais após a extinção do contrato de trabalho, passaria para apenas três meses.

O trabalhador também seria obrigado a, antes de impetrar uma ação, ter obrigatoriamente que passar por uma comissão de conciliação prévia. Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal já havia decidido que demandas trabalhistas podem ser submetidas à apreciação o Poder Judiciário sem análise de comissão de conciliação prévia. A discussão era relativa à interpretação do artigo 625-D da CLT.

A tramitação da PEC 300 havia sido paralisada por conta da intervenção federal que vigorava no Rio de Janeiro, o que impedia a análise de propostas que modificassem a Constituição. Ainda não há data para apreciação do parecer na Comissão de Constituição e Justiça.  - Sul21

12 de janeiro de 2019

Oposição projeta resistência inédita em 2019

 

Parlamentares de oposição no Congresso Nacional e organizações do campo popular se preparam para lidar com o conjunto de pautas que vem a reboque do governo de Jair Bolsonaro (PSL), eleito em outubro de 2018.

Uma das promessas para o primeiro semestre é o resgate do Projeto de Lei (PL) 7180/2014, conhecido como "Escola sem Partido". A proposta é fortemente criticada por professores, especialistas e entidades da sociedade civil porque impõe restrições aos educadores, impedindo, por exemplo, conteúdos sobre questões de gênero e educação sexual em sala de aula. Por esse motivo, ela foi apelidada pelos opositores de "Lei da Mordaça".

Após meses de obstrução da matéria por parte da oposição, o PL foi arquivado, em dezembro de 2018, mas deve ser reapresentado pelo governo.

Conduzido por membros da bancada evangélica, o "Escola Sem Partido" conta com a articulação do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), que se reelegeu como deputado federal e prometeu recuperar a medida.

Para a deputada Erika Kokay (PT-DF), integrante da comissão legislativa que debateu o PL, o projeto exigirá, novamente, uma forte articulação da oposição em 2019. Outro desafio citado pela parlamentar é barrar as armadilhas "antiterroristas", que buscam facilitar a criminalização oficial dos movimentos populares: "Ele ['Escola Sem Partido'] faz parte de uma estratégia de retirada de direitos e de entrega da soberania nacional. Essa estratégia precisa calar a escola e todos os espaços de consciência critica, e ela vem no mesmo sentido da criminalização dos movimentos sociais. Tanto o 'Escola Sem Partido' como essa criminalização enfrentarão a nossa resistência", assegura Kokay.

Economia

Na pauta econômica, o carro-chefe será a reforma da Previdência. A proposta foi engavetada em dezembro de 2017, após forte oposição de movimentos populares.

Um novo texto vem sendo preparado pela equipe econômica do governo Bolsonaro, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Para Nalu Faria, que integra a coordenação nacional da Frente Brasil Popular (FBP), a medida deverá enfrentar mobilização nas ruas.

"Com o acúmulo que nós construímos no último período, sabemos que não será fácil. Porque agora temos vários agravantes em relação àquele momento, inclusive a chamada reforma trabalhista, que foi aprovada, e um nível maior de desemprego. Mas, com certeza, retroceder em um direito que a população já tem é bastante complicado. Acho que nós vamos conseguir garantir um grau forte de mobilização", projeta.

Soberania

Na linha de frente do novo governo, também está a pauta das privatizações. Paulo Guedes tem dito que a gestão pretende implementar um amplo programa de venda de estatais. Ao todo, o Brasil tem 138 estatais federais.

A lista de privatizações pode incluir, por exemplo, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), subsidiárias da Petrobras e dos bancos públicos federais – Caixa Econômica e Banco do Brasil. Um dos processos mais avançados é o da venda da Eletrobras.

Durante a gestão de Michel Temer (MDB), a estatal teve suas seis distribuidoras vendidas e, no novo governo, pode ter as empresas de geração e transmissão de energia também privatizadas. A pauta atende aos interesses do mercado financeiro e de multinacionais chinesas e estadunidenses.

Uma das medidas contra a Eletrobras que tramitam na Câmara dos Deputados é o PL 9463/2018, que prevê a desestatização do sistema elétrico e já recebeu parecer favorável do relator, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Nos bastidores do mundo político, diferentes atores avaliam que a pauta deverá retornar com força neste primeiro semestre. O sindicalista Ikaro Chaves, do Coletivo Nacional dos Eletricitários, afirma que o movimento nacional de defesa da Eletrobras continuará se posicionando contra as medidas de privatização.

"A nossa luta continua. Nós estamos defendendo o patrimônio público, dos brasileiros. A energia elétrica é essencial pra vida na sociedade moderna. Então, nossa missão continua sendo esta: vamos continuar atuando no parlamento, na mídia, tentando convencer a população a não apoiar esse tipo de proposta", complementa.

Unidade

Para o líder da oposição na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), o novo momento exigirá maior interlocução entre os parlamentares contrários às pautas do governo Bolsonaro e os segmentos populares.

"O movimento popular tem um papel estratégico em um momento como este. E a gente, no Congresso, não pode piscar", finaliza.
Brasil 247 / Brasil de Fato

11 de janeiro de 2019

Maior líder da esquerda francesa denuncia lawfare contra Lula

 

O maior líder da esquerda francesa, Jean Luc Mélenchon, ex-candidato à presidência da República daquele país e líder do Movimento França Insubmissa, denunciou a prática de lawfare contra o ex-presidente Lula, preso político em Curitiba há 278 dias. Mélenchon diz que "em todos os países se utiliza agora o lawfare para se livrar de pessoas. É o que fizeram com Lula. O juiz que o condenou é agora ministro de Jair Bolsonaro".  - 247

Confira o Twitter do ex-presidente Lula, que destaca a afirmação de Mélenchon:

10 de janeiro de 2019

Povo Fala: Como a Venezuela encara a posse de Maduro e as reações do Grupo de Lima?

Brasil de Fato foi às ruas para ouvir a opinião de venezuelanos sobre o novo mandato, que começa nesta quinta-feira (10)

O presidente reeleito da Venezuela, Nicolás Maduro, tomará posse nesta quinta-feira (10) para um novo mandato de seis anos. No cargo desde 2013, o mandatário venceu as eleições em maio de 2018 com 67% dos votos, 46 pontos percentuais a mais que o segundo colocado, Henri Falcón.

Embora o pleito tenha sido acompanhado por dezenas de observadores internacionais, representantes do Grupo de Lima decidiram na última sexta-feira (4) não reconhecer a legitimidade do novo mandato de Maduro.

Criado em 2017 por iniciativa do governo peruano sob a justificativa de “denunciar a ruptura da ordem democrática na Venezuela”, o Grupo de Lima é formado por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia. Dos 14 países, somente o México se posicionou contra o texto.

A decisão do bloco foi criticada pelo chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, que acusou os países do grupo de tentar incentivar um golpe de Estado no país com o apoio dos Estados Unidos.

O Brasil de Fato foi às ruas da Venezuela e conversou com cidadãos que reconhecem a legitimidade do novo governo e questionam as intenções do Grupo de Lima ao intervir na política local. Confira:

Gladys Madrid, funcionária pública da prefeitura de Caracas:

"Este é um mandato legal. Ele [Maduro] está aqui porque o povo o elegeu. A Venezuela é um país próspero e que tem muitas riquezas, por isso todos os países estão contra.

Ele está aí, eleito pelo povo. Aqui não há guerra, aqui ninguém está morrendo de fome, aqui ninguém está passando necessidade. Tudo isso é uma campanha midiática para destruir o presidente Maduro, para matá-lo, para acabar com a Venezuela. Tudo isso é falso. Quem vem para a Venezuela pode constatar com os próprios olhos o que acontece aqui.

Eu considero que cada país deve se ocupar de seu país. Cada presidente deve se ocupar dos problemas de seu país. A Venezuela é a Venezuela, e temos que resolver nossos problemas internamente. Ninguém tem que se meter nos problemas da Venezuela".

Willian Alfredo, dirigente de movimento social:

"Em 20 de maio, votamos pelo nosso companheiro Nicolás Maduro Moros. É claro que [o novo mandato] é legítimo. Nós estamos conscientes de que ele está em Miraflores [sede do governo venezuelano] por meio dos votos, e em 10 de janeiro ele continua o seu mandato. Ele vai continuar o seu mandato.

Eu penso que a embaixada norte-americana aqui na Venezuela está tramando algo. É uma intuição que tenho como venezuelano que sou. É uma pequena intuição que tenho como venezuelano".

Mirian Torrealba, educadora:

"Nós demonstramos, com a quantidade de eleições que tivemos, para avaliar o que queremos, como queremos e de que forma queremos a democracia. Nós somos um país extremamente democrata.

Sinto muito que os países que nem sequer saibam da história da Venezuela se metam dentro dos assuntos da Venezuela. Porque isso diz respeito à Venezuela. E me parece uma falta de respeito que essa organização formada por presidentes, mas não pelo povo, desqualifiquem um país. Isso é uma violação de direito constitucional internacional.

Como é possível que o Brasil fale de nós, sabendo que Lula da Silva e a camarada Dilma Rousseff são totalmente inocentes? Não tem legislação legal […] Não tem moral, porque primeiro precisam corrigir os seus erros internos".

*Com a colaboração de Tiago Angelo.

Edição: Daniel Giovanaz  -  Brasil de Fato

9 de janeiro de 2019

Reforma Agrária é paralisada por tempo indeterminado e agrava tensão no campo


O governo de Jair Bolsonaro determinou nesta terça-feira, 8, a paralisação, por tempo indeterminado, de todos os processos de aquisição, desapropriação ou outra forma de obtenção de terras para o programa nacional de reforma agrária.

A medida atinge de imediato 250 processos já em andamento no Incra, além de outros 1,7 mil processos de identificação e delimitação de territórios quilombolas.

Ouvido pela Folha de S. Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) avalia que a medida vai agravar a tensão no campo, gera prejuízos aos cofres públicos, pois em vários processos de identificação das terras o governo já gastou recursos com trabalho de campo, e "até pode ser considerado um ato inconstitucional".

"Nos últimos quatro anos, desde o governo Dilma, a reforma agrária já vinha em um sistema de paralisia, e agora é um agravamento. Temos 120 mil famílias acampadas e elas não vão desistir da luta pela terra, sempre pela paz no campo, repudiamos a violência", disse Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST. Ele estimou em 365 o número de processos no Incra que deverão ser atingidos pela paralisação. "É um acirramento do conflito agrário no país", disse Conceição.

A paralisação ou mesmo o fim do programa de reforma agrária era um temor frequente de entidades que atuam com famílias de trabalhadores rurais sem terra, em especial depois de ameaças feitas pelo então candidato Jair Bolsonaro. Ele ameaçou criminalizar ações do MST, a quem chamou de terroristas. Em 2017, um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), disse em vídeo divulgado em redes sociais que a distribuição de terras a integrantes do MST "em nada contribui para o crescimento do país" e acusou o MST de ser "um movimento de cunho político".

Desde a criação, em 1970, o Incra contabiliza 1,34 milhão de famílias assentadas no programa de reforma agrária em 9,4 mil assentamentos criados e reconhecidos em 88 milhões de hectares. O número total de famílias hoje vivendo em assentamentos e área reformadas, segundo o Incra, é de 972 mil.  - 247