Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos

11 de outubro de 2011

A experiência vitoriosa do 1º Seminário Nacional de Universidade Popular

Por todos os cantos do mundo é possível ouvir a voz da juventude. A inércia que por anos parece ter tomado conta do povo brasileiro teve de se render ao movimento, inerente ao viver. Os oprimidos aos poucos se erguem e juntos assumem, enquanto ‘ser revolucionário’, sua tarefa histórica de mudar o mundo. O silêncio foi finalmente rompido com um grito de esperança: “Criar, criar Universidade Popular”.
Ao mesmo tempo em que se realizava em Porto Alegre o primeiro Seminário Nacional de Universidade Popular, estudantes de todo o Brasil acampavam nas reitorias de suas respectivas universidades, denunciando as condições lastimáveis de nossa Educação e, dez dias antes, um milhão de pessoas marchava pelas ruas do Chile carregando a bandeira da Educação Pública. A convergência dos discursos não deixa dúvidas quanto ao que está em jogo, apesar das enormes distâncias que separavam os falantes. Não havia brechas para se imaginar que o que se passava era mera coincidência. O que aqueles jovens querem, está claro, seja em Porto Alegre seja no resto do Brasil e não menos no Chile, é um outro projeto educacional, e mais que isso, um outro projeto de sociedade.
Chegou o tempo de dizermos com todas as letras que não aceitamos que a Educação seja tratada como mercadoria, que não aceitamos sermos convertidos em números em planilhas econômicas e não aceitamos o projeto de educação imposto pelo capital, cujo intuito é tão somente formar trabalhadores para o mercado. Temos nosso próprio projeto de ensino, com o qual seja possível formar seres humanos integrais, que seja capaz de emancipar o homem de tudo aquilo que o acorrenta a uma vida miserável e egoísta. Queremos construir uma educação como prática da liberdade.
O primeiro passo em direção à construção desse sonho foi dado ainda quando da etapa estadual preparatória para o seminário, da qual tenho o orgulho de dizer que participei ativamente. Foi possível concluir ao final que estávamos todos contagiados pelo mesmo sentimento, de que além de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, reivindicamos uma universidade ‘popular’, que esteja voltada para atender as demandas do povo, que trabalhe por ele e com ele. Com tais princípios reafirmados nacionalmente, nos colocamos numa posição claramente anti-capitalista e implacavelmente democrática. A educação, afirmamos, é direito universal – bem como a saúde, a cultura e o trabalho – não podendo, portanto, ser negada a qualquer homem ou mulher independente de cor, credo, classe social.
Uma Educação Popular possui dessa forma a missão de nos preparar para uma sociedade na qual não sejamos dominados por uma dinâmica que escapa ao nosso controle, se comprometendo em conquistar os corações e mentes que transformarão de forma radical a nossa condição de existência. A Universidade do Povo é o caminho para a construção da contra-hegemonia e a aliada por excelência do Poder Popular. É, neste exato momento, a via que se abre para uma sociedade mais igualitária, mais justa, mais humana.

Por William Magalhães(militante da UJC e estudante de História da UFF), no UJC/RJ.

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