Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos

9 de outubro de 2011

Documentário "Rádio Nacional" é dedicado a demitidos pela ditadura

Rádio Nacional O Filme - No Rio de Janeiro, Cine Glória, últimos dias. Em São Paulo estréia nesta segunda feira, 10 de outubro.
A história da Rádio Nacional, desde sua criação, em setembro de 1936, até o ano de 1964, quando sofreu os impactos da intervenção militar no país. Uma história de glórias e traumas da emissora que ao longo dos anos 1940 e 1950 foi o maior veículo de comunicação de massa do país. Roberto Carlos, Sérgio Cabral, Luiz Carlos Saroldi, Chico Anysio, Boni, Cauby, Marlene, Luiz Mendes, Daisy Lúcidi, Gerdal dos Santos, entre outros artistas, radialistas, jornalistas e pesquisadores, revelam fatos dos bastidores e realçam o amplo significado da emissora.

Trailer Rádio Nacional O Filme
http://www.youtube.com/watch?v=IQE9RRyFAtc&feature=player_embedded

Documentário "Rádio Nacional" é dedicado a demitidos pela ditadura
"Rádio Nacional", documentário de Paulo Roscio sobre a emissora que foi o primeiro meio de comunicação de massa do Brasil a fazer jus ao nome, não dedura quem é acusado de dedurar.
O filme de 79 minutos é dedicado aos 66 funcionários demitidos depois do golpe militar de 1964. Não trata, porém, do papel de César de Alencar, radialista apontado por colegas como responsável por entregar à ditadura os nomes dos profissionais que deveriam ser mandados embora por "subversão".
"Será que foi só ele?", perguntou Roscio na pré-estreia do documentário, no Cine Odeon, no centro do Rio. "Acho que não".
Para Roscio, o expurgo na rádio foi uma maneira de os militares mostrarem que o golpe "era para valer".
"Acho que não é justo botar na conta de uma pessoa só", disse o diretor, para justificar porque poupou Alencar. "Não dá para um homem só fazer isso", opinou.
"Foi ele sim", rebateu o radioator Gerdal dos Santos, 82, o mais antigo funcionário da rádio, que também foi demitido em 1964. "Foi um grande radialista, mas nos denunciou", insistiu, na noite da pré-estreia. Alencar morreu em 1990, aos 72 anos. A reportagem não encontrou parentes dele para comentar o caso.
Santos, que entrou na rádio em 1953, foi denunciado por pertencer ao PCB (Partido Comunista Brasileiro). Voltou à rádio em 1980, depois da anistia do governo Figueiredo. Hoje, apresenta dois programas ("Onde canta o sabiá", aos sábados, de 8h às 11h, e "Radio Memória", de 7h às 9h, aos domingos). "No fundo, não tenho mágoas".
Santos foi um dos entrevistados por Roscio, ao lado dos cantores Cauby Peixoto, de pesquisadores como Ricardo Cravo Albim, Rodrigo Faour e Sérgio Cabral, da apresentadora e atriz Daisy Lúcidi, ex-deputada e ex-vereadora ("A Rádio Nacional me deu três mandatos"), e de Roberto Carlos.
O "Rei" tem participação destacada no documentário, falando da importância da Nacional. Roberto Carlos foi questionado por Pery Ribeiro, na noite de pré-estreia.
"Passei minha infância na Rádio Nacional, me lancei na Rádio Nacional, e não me lembro de ter visto Roberto Carlos por lá", disse Ribeiro, filho de duas estrelas da era do Rádio, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.
Roberto Carlos conta, no filme, como se esforçou para se apresentar em um show de calouros da emissora. Os shows eram parte de um tripé de programação que inspirou e até hoje influencia a programação dos canais de TV: música, humor e radionovelas. "Aprendemos muito com a Rádio Nacional", diz o ex-vice-presidente de Operações da Rede Globo José Bonifácio Sobrinho, o Boni.
O diretor do documentário afirma que, no seu auge, a Rádio Nacional foi mais influente que a Rede Globo. Um concurso feito para escolher o melhor jogador de futebol do Brasil, em 1951, é um exemplo dado por ele no filme para provar seu argumento.
Como conta Sérgio Cabral em "Rádio Nacional", o concurso era patrocinado pelo remédio Sonrisal, e os votos deveriam ser enviados com uma embalagem do medicamento.
O concurso teve de ser encerrado antes do prazo, porque faltou Sonrisal: o laboratório que produzia o medicamento não conseguiu suprir a demanda.
Ademir Menezes, artilheiro da Copa do Mundo de 1950, foi eleito com 8 milhões de votos. Foi a maior votação que um brasileiro recebeu, até a eleição de Jânio Quadros, em 1961.

Com informações do RioBlogProg e Agência de Notícias Jornal Floripa

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