Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos

31 de julho de 2013

Juventude organizada exige reformas estruturantes na educação, política e comunicação

Para os movimentos presentes ao Coletivo Nacional de Juventude da CUT, momento é de aproveitar a energia das ruas e aprofundar a luta por avanços e conquistas

Representantes dos movimentos que compõem a Jornada de Lutas da Juventude Brasileira participaram na manhã desta segunda-feira (29) do debate sobre a conjuntura política durante a mesa que iniciou os trabalhos do Coletivo Nacional de Juventude da CUT.

Em consonância com momento atual vivenciado pela sociedade brasileira, onde milhares foram às ruas para exigir mais avanços e melhorias nos serviços públicos, é desafio dos movimentos organizados aproveitar a energia que emerge das ruas para aprofundar a luta por mudanças estruturais tão fundamentais à construção de um país justo, democrático e igualitário.

Apesar dos avanços consolidados nos últimos dez anos durante os governos democrático-popular, pautado pela distribuição de renda e crescimento da economia, o governo preteriu o encaminhamento de reformas estruturantes e pontuais que o País necessita.

O capital ainda controla a economia e dita as regras do sistema político brasileiro, os serviços públicos ofertados à população encontram-se sucateados e os meios de comunicação são controlados por meia dúzia de famílias.

“Em que pese os avanços e conquistas, o governo apresenta contradições em seu projeto. Nos últimos dez anos não conseguimos implementar no País reformas democráticas que possibilitassem um salto de desenvolvimento, como a reforma agrária, política, urbana, dos meios de comunicação. Mesmo a reforma da educação em curso apresenta um série de limitações”, declarou Virgínia Barros, presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes).

Tanto a juventude como a população em geral estão sub-representadas no sistema político brasileiro. Unificados no discurso, os representantes dos movimentos de juventude foram enfáticos ao afirmar que a conjuntura atual demanda a massificação do debate sobre a reforma política com foco na extinção do financiamento privado de campanha.

“O Congresso Nacional não representa a diversidade do povo brasileiro. As campanhas eleitorais são controladas por interesses corporativistas e privados, que permitem a formação de lobbies comprometidos com os setores mais conservadores. Precisamos de uma reforma política com financiamento público de campanha, ampliação da democracia e dos níveis de participação popular”, exclamou Virgínia.

Carla Bueno, representante do Levante Popular da Juventude, propôs que os movimentos sociais aproveitem o dia 30 de agosto, quando ocorrerão novas mobilizações das centrais sindicais, para organizar um grande ato em prol da democratização da comunicação. “Uma bandeira de luta que unifica todos os setores é o ‘Fora Globo’. Podemos aproveitar este dia e realizar ações na frente de todas as afiliadas da Globo nos estados agregando toda juventude nesta luta. É evidente o quanto a mídia teve uma influência direta para inserir a pauta conservadora nas mobilizações atuais, o que nos mostra a importância de aprofundarmos a luta pela democratização dos meios de comunicação”, destacou.

Resultado das mobilizações de junho e das ações organizadas pela Jornada de Lutas da Juventude Brasileira, que congrega mais de 40 movimentos sociais e organizações, a presidenta Dilma Roussef recebeu a juventude da CUT e diversas lideranças juvenis em audiência no final do mês passado.

Dilma reconheceu a legitimidade dos movimentos, afirmando o compromisso com a melhora da qualidade dos serviços públicos e dos governos em promoverem um diálogo específico com a juventude. “A presidenta mostrou disposição em nos ouvir, mas o governo tem dado respostas limitadas as reivindicações da sociedade. É preciso avançar no diálogo que possibilite a construção de avanços na pauta da juventude brasileira”, afirmou Carla Bueno.

De acordo com Jefferson Lima, secretário de Juventude do PT (Partido dos Trabalhadores), a Jornada de Lutas teve uma repercussão importante, com ações nos principais estados e em diversos municípios. “Foi um processo de mobilização que garantiu, por exemplo, a aprovação do Estatuto da Juventude que será sancionado pela presidenta Dilma no dia 5 de agosto”, informou.

Para Igor Felippe, representante do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), a reforma política é o primeiro passo para a institucionalização de outras reformas estruturantes. “A unidade política e programática de ação dos movimentos que compõem a Jornada de Lutas da Juventude Brasileira será fundamental nesta conjuntura. Só conseguiremos enfrentar estes desafios se estivermos unidos e compreendermos o caráter da classe dominante, o quadro de formação social do País, no qual a burguesia impede a participação do povo na política e, por conseqüência, a realização da reforma agrária, da democratização da comunicação, redução da jornada.”

Alertando para a informação de que 60% dos/as jovens afirmarem que as instituições precisam ser mais flexíveis e abertas ao diálogo com a juventude, Daniel Souza, representante da REJU (Rede Ecumênica da Juventude), crê “que caso não façamos o debate entre religião, estado laico e política, corre-se o risco de ficarmos nas mãos dos setores fundamentalistas e conservadores.”

Maria Julia Nogueira, secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, destacou o momento oportuno no qual ocorre este Coletivo, lembrando que a Secretaria realizou seu Encontro agora em julho “onde pensamos quais ações queremos levar para a III Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial (Conapir) precedida das etapas estaduais que se iniciam no começo de agosto. Ocorreu também na semana passada a reunião do Coletivo de Mulheres e agora este Coletivo de Juventude. Todas essas ações visam a construção da luta coletiva sempre com um olhar especial para os 30 anos que a nossa central comemora no mês de agosto”, observou.

“Não podemos esquecer também da luta contra os leilões do petróleo e contra o PL 4330 da terceirização desenfreada, que atingem diretamente as políticas sociais e organização da classe trabalhadora”, assinalou Alfredo Santos Jr., secretário nacional de Juventude da CUT.

Uma nova Plenária entre os movimentos que integram a Jornada de Lutas da Juventude Brasileira ocorrerá no dia 3 de agosto.
por William Pedreira - CUT

Nenhum comentário:

Postar um comentário