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19 de julho de 2012

Militares se articulam contra Comissão da Verdade

Dilma, aos 22 anos julgada em tribunal militar
O argumento dos militares é de que a Comissão criada pelo governo federal tem caráter revanchista e investiga apenas “um lado” da história, ao não se focar nas ações de resistência ao regime.
Para o presidente da Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva” da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) , a investigação que pleiteiam os militares já foi realizada durante a própria ditadura.
“Essa parte a polícia secreta já fez. Quem derrubou o regime democrático em 1964 foram os golpistas, quem instalou o Estado de exceção foram os golpistas. Os que resistiram já foram presos, torturados, identificados, punidos e massacrados”, enfatiza.

Uma das principais expectativas em relação à Comissão Nacional da Verdade será o acesso de seus membros a documentos que estão em arquivos militares e ainda não foram abertos ao público.
Apesar de o decreto que criou a Comissão prever acesso irrestrito de seus integrantes a esses arquivos, familiares de vítimas temem uma possível sabotagem, como explica o jornalista Pedro Pomar, neto de Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar, assassinado em 1976, e filho de Wladimir Pomar, preso e torturado pelo regime.
“A gente sabe que há militares sugerindo e propondo aos seus colegas de armas que sabotem a Comissão da Verdade. Então é preciso que o governo tenha disposição para punir quem fizer isso”, diz.
De sua parte, os militares fazem pressão. Em maio deste ano, oficiais reformados do Clube Naval do Rio de Janeiro anunciaram a criação de uma “comissão paralela”. Segundo seus membros, o grupo não deve produzir um relatório próprio, mas apenas rebater acusações que forem feitas pela Comissão Nacional da Verdade.
“Os militares têm o direito de fazer qualquer comissão ou qualquer discussão que acharem pertinente, desde que se contenham dentro dos limites da lei”, afirma a advogada criminalista Rosa Maria Cardoso da Cunha, integrante da Comissão Nacional.
Na avaliação do ex-preso político e membro da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos Ivan Seixas, o objetivo dos militares é intimidar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. “Eles vão provar o quê, que não fizeram? É pressão de golpista, torturador, que resolveu dizer que tem a verdade”, avalia.
O argumento dos militares é de que a Comissão criada pelo governo federal tem caráter revanchista e investiga apenas “um lado” da história, ao não se focar nas ações de resistência ao regime.
Para o presidente da Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva” da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) , a investigação que pleiteiam os militares já foi realizada durante a própria ditadura.
“Essa parte a polícia secreta já fez. Quem derrubou o regime democrático em 1964 foram os golpistas, quem instalou o Estado de exceção foram os golpistas. Os que resistiram já foram presos, torturados, identificados, punidos e massacrados”, enfatiza.
A atuação dos militares, para a professora da Universidade de São Paulo (USP) Vera Paiva, filha de Rubens Paiva, não deverá ser um entrave para os trabalhos de esclarecimento da Comissão da Verdade. O principal prejuízo desse grupo, segundo ela, é continuar reproduzindo as mesmas práticas de violência e repressão.
“Em vez de formar gente na mentalidade democrata, [os militares] estão formando gente para defender uma coisa que não precisariam mais estar defendendo. A minha preocupação é com a Polícia Militar, por exemplo, que foi produzida nesse período e que continua arbitrária”, ressalta.

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