Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos

25 de março de 2011

Anistia e homenagem às mulheres que lutaram contra a ditadura

Mulheres anistiadas junto com o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, a Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Gilda Carvalho (quarta a partir da esquerda), e a deputada Luiza Erundina (segunda a partir da direita). Elza Fiúza/ABr

Quarenta anos atrás, se alguém dissesse a elas que a companheira de cárcere Dilma Rousseff seria eleita presidenta do Brasil, sucedendo e dando continuidade ao governo mais popular da história do País, provavelmente ouviria gargalhadas ou receberia um olhar incrédulo.

O fato é que a realidade reservou um presente especial para seis mulheres brasileiras que lutaram contra a ditadura que sufocou a Nação entre 1964 e 1985.

Sônia Hipólito, Maria Tereza Goulart, Rita Sipahi, Damaris Oliveira Lucena, Denise Crispim e Rose Nogueira receberam a anistia do Estado brasileiro por conta da perseguição que sofreram quatro décadas atrás.

A cerimônia — que perdi por confusão de datas — ocorreu no Salão Negro do Ministério da Justiça e fez parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher.

Sobraram emoção e lágrimas. Algo comum, aliás, em todas as sessões da Comissão de Anistia.

O ato de anistia, apesar de possuir um caráter formal, do reconhecimento de ilegalidades cometidas contra as vítimas da ditadura civil-militar, acaba se convertendo numa homenagem simbólica a quem lutou para derrubar o regime autoritário.

O Blog do Planalto gravou entrevista com Sônia Hipólito, militante da UNE em 1968 e grande referência para tantos lutadores e lutadoras da esquerda. 

Assista:



Parabéns à querida Sônia e às demais mulheres de luta!

Mais detalhes sobre a cerimônia e sobre as anistiadas estão no site da Comissão de Anistia (clique aqui). Segue abaixo o perfil de cada uma das anistiadas:

Sônia Hipólito – Militante da União Nacional dos Estudantes (UNE), foi presa pela primeira vez pelo DOPS/SP, por participar do congresso da entidade em São Paulo, em 1968. Em 1969 militou na Ação Libertadora Nacional (ALN), sendo presa novamente em 1970. Exilada em 1973, passou pelo Chile, Argentina, Alemanha e França, onde permaneceu até 1976. Voltando ao Brasil em 1979, passou a atuar junto a movimentos sociais e a militar no Partido dos Trabalhadores (PT).

Denize Crispim – Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi presa quando estava grávida de seis meses de Eduarda, sua filha com Eduardo Leite “Bacuri” (de quem foi companheira até sua morte sob violenta tortura pelas forças da repressão). Sua soltura foi negociada mediante prisão do marido, visto por Denize pela última vez na prisão, desfigurado pelas torturas. Obteve asilo diplomático na Itália em 1971.

Rose Nogueira – Ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), era jornalista quando foi presa pelo “esquadrão da morte” do DOPS, em 4 de novembro de 1969, em São Paulo. Abrigou diversos resistentes e revolucionários em sua casa, entre eles Carlos Marighella. Rose foi presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e do Grupo Tortura Nunca Mais/SP. Segue até os dias atuais com sua militância pelos Direitos Humanos.

Maria Thereza Goulart – Viúva do ex- presidente João Goulart, deposto em março de 1964, a primeira-dama exilou-se com a família no Uruguai e, posteriormente, na Argentina, onde Jango veio a falecer em 6 de dezembro de 1976. Maria Tereza voltou ao Brasil em 1976 para enterrar Jango, e em 1980 para viver novamente no país.

Rita Sipahi – Natural de Recife, foi dirigente da UNE, militante da Juventude Universitária Católica e participou da estruturação da Ação Popular no Ceará. Durante a ditadura emigrou para São Paulo e Rio de Janeiro, mas não conseguiu evitar seu seqüestro e prisão pelas forças da repressão. Foi condenada pela Justiça Militar de São Paulo. Após a ditadura, estabilizou-se enquanto servidora pública e seguiu atuando junto a movimentos sociais.

Damaris Oliveira Lucena – Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), viu o marido ser morto na frente dos filhos por agentes da repressão. Foi presa e banida juntamente com os filhos Adilson, Ângela e Denise Lucena, que ingressaram no sistema prisional ainda menores de idade.


do Página64

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