Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos

3 de janeiro de 2011

A Dilma o que é de Dilma

Despedida de Lula e posse de Dilma Rousseff

Não é qualquer país que pode se gabar de num só dia testemunhar a saída de um presidente operário e a entrada de uma presidente mulher.  Dois segmentos da população que, até pouco tempo, jamais sonhariam alcançar o cargo mais alto da política no Brasil.   É uma efeméride histórica que coloca nosso país na liderança dos que atingiram ou ainda lutam para atingir a maioridade política.
Queiram os não os adversários, independente de siglas partidárias ou ideologias, o Brasil sedimenta seu prestígio no campo das liberdades democráticas, o que o torna mais respeitado na comunidade internacional.

Também, queiram ou não os adversários,  ao descer a rampa do Palácio do Planalto no primeiro dia do ano de 2011, Lula levou para casa um troféu que dificilmente alguém irá conquistar algum dia. O de presidente mais popular de todos os tempos, depois de oito anos de mandato.  A pesquisa Sensus/CNT divulgada na quarta-feira conferiu ao presidente o índice recorde de 87% de aceitação popular e ao seu governo 83,4%.

Dilma assume à sombra do impressionante prestígio de seu antecessor, como destacam alguns jornais internacionais.  Seu ministério não é o que de melhor se poderia esperar, por culpa das alianças montadas na véspera  da eleição. Em nome da tal governabilidade, o brasileiro é obrigado a engolir nomes que jamais deveriam participar de um governo progressista que substitui a outro onde os pobres foram prioridade, embora os ricos nada tenham a reclamar.

No momento em que Dilma e seus eleitores são obrigados a fatiar o governo de forma a atender os “aliados” é que uma reforma partidária se faz urgente e necessária.  O processo político-eleitoral estadunidense, que tem lá seus defeitos, pelo menos nesse ponto funciona muito bem. Ou se é democrata ou republicano.  Todo mundo sabe quem é quem, eventualmente pode haver divergências internas dentro do partido, com a formação de grupos, mas na hora de montar um governo ele é essencialmente de um partido ou de outro.

No nosso sistema, todos os gatos são pardos. Os partidos disputam a ferro e fogo suas cotas e tentam conquistar os ministérios de maior visibilidadde já pensando nos próximos pleitos. E la nave va.
Empurram pela nossa goela um ministro de 80 anos, o maranhense Pedro Novais, que promove festinhas em motel com o dinheiro público, porque ele é da quota do Sarney.

Não bastasse o velhinho sapeca, que vai para o Ministério do Turismo,  temos que engolir também um Moreira Franco, péssimo governador do Rio, quase um cadáver político, envolvido no inesquecível escândalo do Proconsult/TV Globo, que acaba de ser resgatado e vai para o Ministério de Assuntos Estratégicos, cuja função aliás precisa ser explicada ao povão.  Moreira deve ser da cota do PMBD, através do vice Michel Temer, outra aberração fruto dessas alianças espúrias.

Se Dilma é realmente a pessoa que escolhemos e respeitamos pelo seu passado de luta em prol do resgate da democracia brasileira, presa e torturada pelos militares,  que ainda na festa da posse prestavam continência a ela, certamente deve estar sofrendo o dissabor de governar com esse tipo de gente.  O povão votou em Dilma e não nos políticos oportunistas que estão entrando no governo. A Dilma o que é de Dilma.

Por tudo que fez em favor das liberdades democráticas em nosso país, Dilma merece o crédito ilimitado dos eleitores que marcharam com ela para a vitória. Eleitores que torcem pelo seu sucesso, apesar do cerco político que lhe foi imposto e do qual ela deverá se livrar tão cedo quanto possível. O povão votou em Dilma e não nos políticos oportunistas que estão entrando no governo. A Dilma o que é de Dilma.



O prestígio internacional de Dilma e Lula pode ser medido pela foto acima, onde inimigos figadais, a Secretária de Estado Hillary Clinton e o venezuelano Hugo Chávez, enfrentaram a mesma fila de cumprimentos e depois trocaram um risonho e simpático aperto de mãos. Esse é o Brasil, que é capaz de unir no mesmo barco gente de opiniões tão conflitantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário