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26 de novembro de 2016

Fidel Castro e a revolução Cubana


“Com profunda dor, compareço aqui para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro de 2016, às 10h29 da noite [1h29 de sábado, pelo horário de Brasília] faleceu o comandante em chefe da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz”, declarou o mandatário, comovido. - Morre Fidel Castro aos 90 anos - Internacional - El PAÍS BRASIL


VALEU A PENA A REVOLUÇÃO CUBANA? - O Debate

Uma das melhores e mais usada maneira de medir a evolução de um pais é comparando a seus vizinhos que tiveram a mesma historia, claro que existem países vizinhos com historias e culturas totalmente diferentes.

O que não é o Caso do Caribe em que até certo ponto a colonização foi muito semelhante !

Vamos á analise !!!

Foram mais de cinquenta anos de agressões e discriminações de toda ordem contra a pequena ilha de Cuba, atualmente com apenas 11 milhões de habitantes, inclusive com uma tentativa fracassada de invasão, patrocinada pela CIA, na Baía dos Porcos, no início dos anos 60.

Durante todos estes anos, Cuba tem estado submetida às consequências de fortes sanções econômicas por parte da maior potência econômica e militar do mundo:

O governo norte-americano tem proibido que suas empresas realizem negócios com Cuba, onde se realiza a única experiência socialista na América Latina.(essa proibição ainda NÃO foi revogada).

O argumento usado e abusado é sempre o mesmo:

A falta de liberdades democráticas que o governo socialista impõe ao povo de Cuba.

A verdade, porém, é que o modelo de governo socialista implantado em Cuba, a partir da revolução vitoriosa concluída em 1959, corresponde a um tipo de democracia diferente das existentes nos países capitalistas.

Esse tipo de governo foi adotado como resposta às pressões provenientes dos Estados Unidos, insatisfeitos com a estatização de empresas controladas por capitais norte-americanos, logo após a revolução.

Vamos lembrar aqui que a ilha era um balneário estados unidense, isso mesmo, sem exagero !!

Para lá migravam nas ferias, mafiosos, a classe media alta yankee, traficantes de bebidas e toda sorte de criminosos, a ilha era igual ao que Porto Rico é hoje,só que pior !!

Após a revolução Cuba foi forçada a aliar-se a antiga União Soviética na época da chamada “Guerra Fria”.

Com o esfacelamento da União Soviética em 1989, Cuba perdeu o mercado de seu principal produto, o açúcar, juntamente com outras modalidades de ajuda militar e econômica que recebia daquele país, ficando no pior dos mundos, pois já não contava com o apoio dos Estados Unidos e seus aliados ocidentais.

Ao contrário, sofria forte oposição dos mesmos.

Mesmo atravessando forte crise, Cuba conseguiu sobreviver e preservar seu sistema socialista de governo, realizando mudanças que a tornam um exemplo no mundo, em termos de emancipação popular e de avanços no campo social.

Comparações em termos de indicadores sociais com outros países do Caribe, assemelhados em termos demográficos, geográficos e econômicos, mas com sistemas de governo liberais-democráticos, mostram uma clara vantagem em favor de Cuba.

Considere-se inicialmente, Porto Rico, uma ilha do Caribe próxima a Cuba, atualmente com 4 milhões de habitantes, que foi incorporada pelos Estados Unidos, juntamente com Cuba, no final do Século XIX, após a derrota infligida à Espanha na guerra travada com aquele país.

Lamentavelmente, nem mesmo modelo de democracia ocidental, ainda não foi estendido inteiramente aos porto-riquenhos, que ainda hoje vivem num mero estado-associado, sem personalidade jurídica própria, sem direito a votar na eleição de senadores e representado em Washington por um delegado não-votante.

Porto Rico coloca-se em posição muito desfavorável no mundo, em termos de mortalidade infantil e grau de alfabetização.

Acha-se atualmente MUITO ENDIVIDADO e apresenta uma taxa de desemprego de 13%,é o balneário da vez(era Cuba) !!

Para a minoria de ricos que lá vive e beneficia-se da indústria de turismo, CONTROLADA por capitais norte-americanos.

Resta saber se o povo porto-riquenho está satisfeito.

Não sem razão, o Congresso Latino-americano e Caribenho pela Independência de Porto Rico, realizou-se em 2006, com o propósito de apoiar a independência dessa ilha.

Nada mais injusto para o povo de Porto Rico do que pertencer ao território da maior potência do mundo e apresentar índices de qualidade de vida muito próximos aos dos países mais atrasados da Região.

A República Dominicana, com 10 milhões de habitantes, vizinha do Haiti, com o qual divide o território de uma mesma ilha, também localizada no Caribe, próxima a Cuba, é mais um exemplo do modelo de democracia ocidental, ocupando o 116° lugar no mundo em mortalidade infantil, com uma taxa de 29,6 por mil nascidos vivos, e o 89° lugar no mundo em taxa de alfabetização, com 89,1% de alfabetizados.

Ali, também, à semelhança de Porto Rico, vive um grupo de capitalistas norte-americanos, representando um percentual mínimo da população, que controla a indústria de turismo, a principal atividade econômica do país.

É quase desnecessário mencionar o pobre Haiti, localizado na mesma ilha que a República Dominicana, com a qual divide o território, com 10 milhões de habitantes.

Ocupa, o 136° lugar no mundo em mortalidade infantil, com uma taxa de 48,8 por mil nascidos vivos e tem uma taxa de alfabetização de apenas 54,8%, ficando no 154° lugar no mundo.

Também, no Haiti, existe um pequeno número de ricos que controla o grosso da renda do país, enquanto a maioria da população vive na miséria.

Os casos citados são três exemplos notórios do modelo de democracia fartamente elogiado pela grande imprensa e protegido pelos Estados Unidos.

Em alguns desses países, como Granada, República Dominicana, Guatemala e Panamá, os Estados Unidos já interviram militarmente para defender suas “exemplares” democracias contra revoltas populares.

Chama a atenção que o tão combatido modelo de governo socialista existente em Cuba, durante seu meio século de vida, sob forte pressão externa, tenha conseguido alcançar condições gerais de vida para sua população MUITO SUPERIORES a de seus vizinhos do Caribe.

Para um país pobre, como Cuba, com uma renda per capita de apenas quatro mil e quinhentos dólares (1/5 da dos Estados Unidos), a taxa de mortalidade infantil é de apenas de 5,1 por mil nascidos vivos.

O analfabetismo foi inteiramente banido e a expectativa de vida é de 78,3 anos.
Além disto, em Cuba, não há miséria,SIM NÃO HÁ MISÉRIA, existe sim para os padrões Europeus pobreza, MISÉRIA NÃO !

Há verdades que precisam ser ditas e difundidas, Cuba continua a ser um país pobre, cujos automóveis em circulação nas ruas são antigos e desgastados pelo tempo.

Seus edifícios estão mal cuidados e envelhecidos.

Sua imprensa é controlada pelo governo e a saída do país não é livre como nos demais países da região, aqui, para sermos justos cabe um adendo:

Experimente fazer aqui no Brasil, ou em outros países latinos a proposta que os Estados Unidos fizeram á população cubana !?

Que todo cubano, uma vez colocado os pês em solo yankee passaria a ter automática cidadania !!!

Hoje em dia não !!

Mas será que em outros tempos não haveria uma migração em massa,se tal proposta fosse feita aqui !? Caro internauta, analise imparcialmente ! E com um agravante da proporcionalidade populacional , Cuba tinha menos de sete milhões de pessoas na época da revolução !

Analise !!

Continuando;;;

Há também muitas importantes verdades que dizem respeito à privilegiada condição de vida de sua população, que decorre da opção política de seu povo por um governo socialista.

O modelo de sociedade cubana é uma inovação em relação à democracia esclerosada e viciada existente em nossos países.

Lá, as prioridades são definidas em função das necessidades básicas da população e não de um consumismo estúpido e inconsequente, que permite a uma minoria ter um padrão de vida de país rico e a maioria viver condenada a eterna pobreza.

Lá, o ensino, a saúde e a moradia são gratuitos.

Lá, não existem ricos e, por isso mesmo, não vemos demonstrações de opulência, nem de luxo.

Lá, é onde se tem atingido realizações importantes no campo da medicina, com a formação e a exportação de médicos para países necessitados.

Lá é onde a pesquisa científica na área médica e o desenvolvimento e a produção de numerosas vacinas (exportadas para outros países) contra doenças endêmicas em nossos países têm avançado substancialmente.

Finalmente, lá é onde os negros pobres dos Estados podem estudar gratuitamente e chegar a ser médicos ou ter outras profissões que não poderiam alcançar, por razões econômicas, em sua pátria economicamente poderosa, onde prevalece o modelo de democracia liberal.

Merece destaque que, em comparação com o Brasil, cuja renda por habitante é maior do que duas vezes a de Cuba, este pequeno país leva nítida vantagem em todos os indicadores que dizem respeito às condições gerais de vida da maioria da população.

Cuba exporta médicos para mais de 45 países !!

Existem muitas considerações á se ponderar !!

Valeu a pena não ser hoje um Haiti, ou Republica Dominicana ou ainda uma Porto Rico, que apesar de ser solo estados unidense, tem inciadores sociais extremante inferiores!?

E ai !?

Valeu a pena !?

QUEM É IGOR FUSER !?

Professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Doutor em Ciência Políica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (2011). Mestrado em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação Santiago Dantas (Unesp, Unicamp, PUC-SP) (2005). Graduação em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo (1982). Reuter Fellow pelo Green College, University of Oxford (1993).

Autor dos livros "Energia e Relações Internacionais" Petróleo e Poder - O Envolvimento Militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico" (Ed.Unesp, 2008), "Geopolítica - O Mundo em Conflito" (Ed.Salesiana, 2006), "A Arte da Reportagem" (org. Ed.Scritta, 1996) e "México em Transe" (Ed.Scritta, 1995).

Pesquisador nas áreas de Política Externa Brasileira, Geopolítica da Energia, Política na América Latina e Política Externa dos EUA. Experiência de mais de vinte anos como jornalista especializado em Assuntos Internacionais, exercendo o cargo de editor na Folha de S.Paulo, Veja e Época, entre outras publicações.

Ex-professor e ex-coordenador no curso de Jornalismo (graduação e pós-graduação) da Faculdade Cásper Líbero, e ex-professor na pós-graduação em Política e Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP). Colaborador e membro do Conselho Editorial dos jornais Brasil de Fato e Le Monde Diplomatique Brasil.

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