Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos

26 de dezembro de 2012

Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) cria Comissão da Verdade e Justiça

 “Pela primeira vez, vamos montar um acervo a partir do olhar dos jornalistas. Eles contarão a sua história desse período”, Celso Schröder, presidente da Federação. Além de casos conhecidos como a perseguição ao tabloide “O Pasquim” e a morte do jornalista de Vladimir Herzog, espera-se que muitas outras histórias ainda desconhecidas sejam reveladas. “Tenho viajado e percebido que há casos por todo o país que estão pouco registrados ou registrados muito localmente”, afirmou.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) realizou, entre os dias 07 e 10 de novembro, em Rio Branco-AC, seu 35º Congresso Nacional, com tema: “Os desafios do Jornalismo e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável”.
A programação girou sobre questões como aquecimento global, política energética, desmatamento, Código Florestal, etc., contando com debatedores de diversos órgãos e institutos, porém com pouca representação dos movimentos sociais e dos povos da floresta. Coube então ao professor Hélio Scalambrini (UFPE) ressaltar, durante sua palestra, que é impossível alcançar desenvolvimento sustentável na sociedade capitalista: “a lógica do consumismo e do lucro, sempre será colocada à frente do interesse da maioria da sociedade e da preservação do meio ambiente”, sentenciou.
Um importante momento do Congresso foi o ato político de criação da Comissão Memória, Verdade e Justiça da Fenaj, que vai apurar perseguições a jornalistas e à imprensa durante a Ditadura Militar. O foco dos trabalhos serão os casos de censura, “empastelamento” de jornais e revistas, impedimento do trabalho dos jornalistas, prisões, torturas, mortes e desaparecimentos. Dentre os nomes cotados para integrar a Comissão estão os jornalistas Audálio Dantas (ex-presid. Fenaj), Carlos Alberto Oliveira (ex-presid. Sind. Jornalistas do Município RJ), Nilmário Miranda (ex-presid. Sind. Jornalistas MG, ex-deputado federal e agora membro da Comissão de Anistia), Rose Nogueira (ex-presa política e diretora do Sind. Jornalistas SP) e Sérgio Murillo de Andrade (diretor e ex-presid. Fenaj).
“Pela primeira vez, vamos montar um acervo a partir do olhar dos jornalistas. Eles contarão a sua história desse período”, Celso Schröder, presidente da Federação. Além de casos conhecidos como a perseguição ao tabloide “O Pasquim” e a morte do jornalista de Vladimir Herzog, espera-se que muitas outras histórias ainda desconhecidas sejam reveladas. “Tenho viajado e percebido que há casos por todo o país que estão pouco registrados ou registrados muito localmente”, afirmou.
O jornalista Ricardo Carvalho, também presente ao evento, representou o Instituto Vladimir Herzog no ato e revelou que eles já contam com mais de cem horas de gravações de depoimentos de militantes e jornalistas do período da Ditadura, em especial sobre diversas publicações de esquerda, muitas vezes esquecidas propositalmente pela grande mídia quando se fala em censura da imprensa.
Gilney Amorim Viana, coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, proferiu uma palestra sobre o tema, emocionando a todos com seu depoimento, exibindo também o documentário “Valeu a Pena”, que retrata a greve de fome de 32 dias realizada pelos presos políticos do Presídio Frei Caneca, no Rio (da qual ele mesmo participou), em defesa da “Anistia ampla, geral e irrestrita”.
O congresso da Fenaj também reafirmou as bandeiras de lutas específicas, com prioridade para a luta em defesa da formação de nível superior (aprovação da PEC do Diploma na Câmara Federal em 2013); o PL do Piso Nacional de R$ 3.270,00; a aprovação de um Marco Regulatório para as comunicações no Brasil; entre outras.

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