Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos

29 de novembro de 2012

O que a mídia oligopolizada e de direita não diz sobre a Operação Porto Seguro

São Paulo – A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria da República em São Paulo têm 600 páginas com conteúdo da investigação sobre a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha. Ela é acusada de participar de um esquema criminoso infiltrado em órgãos federais, alvo da Operação Porto Seguro, deflagrada na última sexta-feira (23). A Casa Civil exonerou Rosemary do cargo, na última segunda-feira (28), e abriu investigação interna sobre o caso. A PF recolheu e fez cópia da memória de computadores e documentos em posse da ex-chefe de gabinete. Sua sala, no escritório da Presidência da República em São Paulo, e sua casa foram alvo de ação da PF.
A procuradora da República Suzana Fairbanks, que coordenou a investigação no Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, em conjunto com a PF:
1 - Rebateu a informação de que ocorreram centenas de telefonemas entre a ex-chefe de gabinete e Lula. “Eu não sei de onde saiu isso, porque nunca tive acesso a isso. Vocês podem virar de ponta cabeça o inquérito, em toda a investigação”.
2 - Sobre o ex-ministro José Dirceu, Fairbanks disse que, apesar de ele ter sido citado nos e-mails de Rosemary, não há indícios de sua participação no esquema. “Não tem uma relação direta dele [Dirceu] de sociedade [no esquema] ou de eventual lucro”, destacou. 
 
São Paulo – A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria da República em São Paulo têm 600 páginas com conteúdo da investigação sobre a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha. Ela é acusada de participar de um esquema criminoso infiltrado em órgãos federais, alvo da Operação Porto Seguro, deflagrada na última sexta-feira (23).
 
A Casa Civil exonerou Rosemary do cargo, na última segunda-feira (28), e abriu investigação interna sobre o caso. A PF recolheu e fez cópia da memória de computadores e documentos em posse da ex-chefe de gabinete. Sua sala, no escritório da Presidência da República em São Paulo, e sua casa foram alvo de ação da PF.
 
De acordo com a procuradora da República Suzana Fairbanks, que coordenou a investigação no Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, em conjunto com a PF, Rosemary tinha acesso a pessoas com “os cargos mais altos” do governo e vendia sua influência. 
 
Ela, segundo a procuradora, é que teria conseguido a nomeação, em maio de 2010, do diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira, e do diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Rubens Carlos Vieira. Os irmãos são acusados de chefiar a quadrilha.
 
“Eles sabiam que ela tinha acesso a gente privilegiada dentro do governo. Tanto que se utilizava desse cargo, e aí é que está o crime, para fazer contatos de interesse deles. Agendamento de reunião com políticos, nomeação deles nas agências reguladoras. Ela ficava lá, pegando no pé do pessoal do alto escalão, porque tinha essa proximidade, tinha proximidade física”, disse a procuradora na noite dessa terça-feira (27).
 
“Ela debate muito com eles, ‘vou falar com fulano, vou falar com sicrano’. Mas eu não sei exatamente com quem ela conseguiu isso [as nomeações]. O fato é que estava tentando e ela estava veementemente trabalhando nisso”, acrescentou. 
 
O pagamento pelas nomeações e outros “favores” dela eram feitos, por exemplo, com dinheiro para cirurgias e novas nomeações, agora realizadas pelos irmãos Vieira, em benefício de Rosemary. 
 
“A nomeação da filha dela Mirelle Nóvoa de Noronha, assessora técnica da Diretoria de Infraestrutura Aeroportuária da Anac, ela enfiou goela abaixo do Rubens [diretor da Anac]. Ele falava: ‘ainda vou ter que aguentar essa’. Ele fala isso para o Paulo Vieira, seu irmão, como um pagamento dos favores dela. Eles ficaram pagando o favor dela dos cargos por mais de ano”, ressalta a procuradora. Mirelle foi exonerada ontem (27) do cargo.
 
“De amizade [entre Rosemary e os irmãos Vieira] não tinha nada, porque era uma cobrança mútua e constante, e bem às claras. A prova dos autos comprova tudo isso”, acrescentou a procuradora.
 
Fairbanks disse ainda que a influência de Rosemary não se alterou depois do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gestão em que foi nomeada. A procuradora afastou também a possibilidade de ela ter negociado com o ex-presidente. “Conversa dela com o Lula não existe. Nem conversa, nem áudio e nem e-mail. Se tivesse, nós já não estaríamos mais com a investigação aqui”. 
 
A procuradora ainda rebateu a informação de que ocorreram centenas de telefonemas entre a ex-chefe de gabinete e Lula. “Eu não sei de onde saiu isso, porque nunca tive acesso a isso. Vocês podem virar de ponta  cabeça o inquérito, em toda a investigação”. 
 
Sobre o ex-ministro José Dirceu, Fairbanks disse que, apesar de ele ter sido citado nos e-mails de Rosemary, não há indícios de sua participação no esquema. “Não tem uma relação direta dele [Dirceu] de sociedade [no esquema] ou de eventual lucro”, destacou.
 
A procuradora disse que ainda poderá pedir a prisão de Rosemary “de acordo com a necessidade da investigação”, que depende da averiguação do material apreendido. Rosemary responde pelos crimes de tráfico de influência e corrupção passiva.
 
Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil

3 comentários:

  1. Uma coisa curiosa é a sincronicidade entre o esfriamento do julgamento do mensalão, novas denúncias contra Roberto Gurgel fora da mídia tucanófila e o surgimento 'mágico' de denúncias contra pessoas ligadas de um modo ou de outro ao PT. Se a investigação já se estendia há cerca de dez anos, segundo os jornalões, como é que só agora Rosemary Noronha foi denunciada? Por que esperar tanto tempo assim? Ou o MPF/SP trabalha em conluio com o tucanato?

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    1. Caro Sala Fério, eu acho que é isso mesmo. É o preço que Lula e Dilma pagam por serem verdadeiramente democratas e republicanos nas nomeações e manutenção de certos cargos. Não me recordo de outro governo em que se tenha visto tanta independência na mídia, no judiciário, forças armadas ou polícia federal.

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    2. E a propósito visitei e gostei muito do teu blog. Vou inclui-lo nas minhas listas de blogs recomendados no BlogueDoSouza. Vou te seguir no twitter também. Abraço.

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