Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos

24 de março de 2011

A luta continua e 3 mil estudantes tomam as ruas de São Paulo

Concentração para a jornada nacional de lutas das entidades estudantis foi no MASP; estudantes protestaram contra aumento nas passagens, pela aprovação do Fundo Estadual do Pré-sal e por mais investimentos na educação.
Dando continuidade às diversas atividades que ocorrem em todo país durante a jornada nacional de lutas, os estudantes da capital paulista tomaram nesta terça-feira (22) uma das principais vias da cidade, a avenida Paulista, em uma grande marcha que terminou na Assembléia Legislativa (Alesp).

A passeata saiu do Museu de Arte de São Paulo e, durante o trajeto pela avenida Brigadeiro, os mais de 3 mil jovens protestaram contra o aumento da tarifa no transporte público em São Paulo. A valor foi reajustado para R$ 3 no início do ano. 

“É totalmente inviável para a população ter que arcar com um aumento como esse. Por isso, continuaremos nas ruas para denunciar esse abuso da prefeitura”, disse o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Tarcísio Boaventura.

Os estudantes também pediram mais atenção e investimentos para a área educacional, reivindicando que 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro sejam investidos na educação em todos os seus níveis.

“O governo já sinalizou que pretende aumentar os investimentos de 5% para 7% do PIB. Mas nós achamos que ainda é muito pouco. Nossa luta pelos 10% só começou. Vamos tomar várias capitais do pais a partir de hoje e, na quinta-feira, realizaremos um grande ato em Brasília onde queremos nos encontrar com a presidente Dilma para apresentar nossa documento de reivindicações e discutir o Plano Nacional de Educação”, disse o presidente da UNE, Augusto Chagas.


 
Para o presidente da UBES, Yann Evanovick, os estudantes saem mais uma vez às ruas porque é necessário e urgente garantir a melhoria das condições da educação no Brasil. “Por isso, vamos disputar esse Plano Nacional de Educação apresentando nossas emendas por meio de parlamentares comprometidos com nossas reivindicações. Senão, só daqui a dez anos", afirmou.

PEC do Pré-sal
Outra pauta da jornada de lutas desta terça em São Paulo foi sobre tramitação da Proposta Emenda Constitucional (PEC) do Pré-sal municipal, que cria o Fundo Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social. O Fundo gerenciará os recursos provenientes do Pré-Sal para o estado de São Paulo e já destina 50% para Educação, Meio Ambiente e Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia. 

A PEC é iniciativa dos deputados Pedro Bigardi (PCdoB) e Simão Pedro (PT), que, juntos ao presidente da Alesp, Barros Munhoz (PSDB), e ao líder do PSDB na Casa, Celso Giglio, receberam uma comissão dos estudantes para debater o andamento da proposta.

 “O momento é histórico porque é a primeira vez que o movimento estudantil é recebido pelo presidente da Alesp e, com muita mobilização, podemos aprovar essa PEC e mudar a cara da educação no Estado. Todos se mostraram favoráveis à aprovação e, apesar de apontarem dificuldades pelo fato da disputa política na Casa ser muito grande, os deputados disseram que irão conversar com outros parlamentares para apresentar a proposta”, explicou o presidente da UEE-SP, Carlos Siqueira.

ANPG presente
De acordo com a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, a entidade se soma a essas lutas e também apresenta suas bandeiras específicas, tendo como central sua campanha pelo aumento no valor das bolsas de mestrado e doutorado que estão há três anos sem reajustes. “Investir na pós-graduação brasileira é também propiciar professores mais qualificados para o ensino básico, além de possibilitar um contato desde da infância com a pesquisa, e através de equipamentos como museus, bibliotecas e planetários. Enfim, é investir em qualidade de ensino e desenvolvimento da pesquisa nacional, ambos tão necessários para nossa soberania”, finalizou.

Quarta-feira 23/03 – Passeata Rio de Janeiro – 12h – Alerj
A jornada nacional de lutas da UNE organiza uma grande passeata no Rio de Janeiro embalada pelos protestos contra a visita do presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Os estudantes vão se concentrar dia 23/03 (quarta) na Assembléia Legislativa (Alerj), às 12h, e de lá partem para a Câmara Municipal. O objetivo é pressionar o voto dos parlamentares a favor do projeto de lei que estará tramitando no dia e garantirá a meia passagem no transporte público aos alunos do ProUni e beneficiados por programas de cotas e reserva de vagas.

Quinta-feira, 24/03 – Grande marcha em Brasília – 10h – Biblioteca Nacional
Cerca de 10 mil estudantes tomarão Brasília colorindo a Esplanada dos Ministérios com a irreverência característica do movimento estudantil. A concentração será às 10h, em frente à Biblioteca Nacional. A marcha, que terá o reforço de uma bateria de samba, seguirá para o Congresso Nacional. Lá, os estudantes esperam ser recebidos por Dilma Rousseff. A audiência já foi solicitada e o  objetivo será dialogar com a nova presidente a pauta de reivindicações, principalmente, a respeito de dois temas: o veto do presidente Lula ao projeto de lei que destina 50% do fundo social do Pré-sal para a educação e os recentes cortes no orçamento que podem atingir o financiamento das universidades. 

Rafael Minoro
portal oficial Une - Ubes


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